quarta-feira, 6 de junho de 2012

Doutores Mequetrefes - Rita Risada 04/06/2012


Querido Diário de Bordo

Eba, olha quem está de volta??? Ahhhh você não sabe ainda??? RITA RISADA!!!
Era segunda feira a tarde quando chegamos ao hospital HGU cheios de ansiedade vontade e um tantão de medo. Depois de tanto tempo findado o curso, finalmente a intervenção no setor chegou. Eu sentia um frio na barriga imenso, não queria transparecer porque meu parceiro também estava apreensivo, então resolvi gerar a maior confiança que eu podia e deixar rolar.
Nossa preparação foi um pouco mais demorada por estarmos fazendo tudo pela primeira vez, maquiamos, colocamos nossas roupas e eu reli “A poética do palhaço”.
Deixamos nossos narizes abaixados até o momento exato de iniciar no setor.
Geramos energia subimos o nariz e batemos à porta do primeiro quarto. Foi então que Juju Gordelícia entrou em ação e de repente tínhamos um clown GRÁVIDO, o setor de nossa atuação era o de Ginecologia e Obstetrícia, portanto ele fez o maior sucesso. Eu tive muita dificuldade pelo fato de ter feito a escolha de não falar naquela atuação, testar como seria pra Rita Risada a mudez, o que ela iria sentir, porque talvez pra ela fosse melhor mais expressivo não haver a fala, mas o que sentimos juntas, eu e ela ali naquele momento de atuação, foi FALTA. Realmente valeu de experiência porque passei a conhecer um pouco mais das necessidades do meu clown, um pouco mais dele em mim, através da ausência de palavras ditas ao mundo ela dizia a mim que queria falar.
O olhar foi algo bem interessante porque pude perceber como é mais difícil manter a energia e transmiti-la quando estamos no ambiente hospitalar e os pacientes não estão envoltos na mesma sintonia conosco. Agora refletindo sobre a intervenção percebo como é importante esse diário de bordo, porque estou compreendendo agora algumas coisas que não tinha parado pra pensar, como por exemplo, a tendência é acreditar que estamos ali pra “alegrar”, mas muitas vezes vamos ser um acompanhante silencioso atento trazendo PRESENÇA a um momento. Sei que foi exatamente isso que aprendemos e que fomos preparados pra isso no curso, mas na atuação no picadeiro isso é tão sutil que eu não soube perceber.
Enfim a experiência foi muito proveitosa, pra mim com o meu clown e nós com o público, pude perceber mais da intimidade e das necessidades da Rita Risada.
Com relação às pacientes encontramos algumas receptivas, algumas menos interativas, cada uma a sua maneira. Percebi que conseguiram aproveitar nossa presença pra sair um pouco da rotina e permitir-se um sorriso um suspiro descontraído aliviado.
Saímos num clima delicioso de vontade. Onde havia medo agora há imensa vontade e a certeza de que o mundo clownesco é uma caixa de surpresas e de dentro dessa caixinha pouco o que irá surgir porque tudo o que dela sair será maravilhosamente mágico e perfeito. Será Clown.
Agradeço ao meu melhor companheiro do mundo, do universo, Jurandir Gordelícia, e aos meus MELHORES COMPANHEIROS da galáxia, Doutores Mequetrefes.


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