domingo, 20 de novembro de 2011

Metodologia e práticas

Metodologia e práticas: 


A poética do palhaço:





Através de anos de experiência como clown e professor, tenho descoberto algumas particularidades do palhaço que se repetem com insistência em sua prática cotidiana. Com o desejo de ser didático tenho sistematizado em pontos que ajudem a compreender o que poderíamos chamar de a poética do clown. Estas são características que nos permitem diferenciar o presente trabalho de outros tipos de obras teatrais e nos dão pistas sobre a sabedoria ou o caminho que percorremos em busca de nosso clown. Para o educador este material deve ser uma espécie de guia a ser consultado com frequência e ver se o código que está trabalhando forma parte da alma do clown. Ou seja, se estamos improvisando verdadeiramente como clowns ou simplesmente fazendo teatro cômico ou jogo dramático.
1. Suas grandes verdades.
• O clown é e sempre deve ser autêntico.
• O clown é sincero e espontâneo.
• O olhar do clown é um espelho ao qual vemos seu interior e o nosso reflexo nele.
• O clown é transparente. Suas intenções podem ser vistas, inclusive quando as tenta esconder.
• O clown é complexo, ou seja, é composto de muitos elementos que compõem os múltiplos traços de sua personalidade, ao qual, confere a ele uma grande riqueza expressiva e pessoal.
2. Suas emoções:
• De todas as emoções que habitam um clown, uma é indispensável: a ternura.
• No registro emocional de um clown, ele pode passar de um estado a outro com a mesma velocidade que o sente dentro de si.
• O clown não tem consciência de exagerar. Se isso acontece, é devido a sua paixão, que o faz acreditar na veracidade de seus exageros.
• O clown é dotado de uma boa autoestima. Ele acredita em sua inteligência, mesmo quando ela o trai, o que acontece com bastante frequência.
3. Sua relação no exterior:
• O clown é curioso perante o mundo ao seu redor.
• O Clown não busca os problemas. Eles são encontrados ... constantemente.
• O clown não procura provocar o riso. Isso ocorre como resultado do conflito entre seu espírito e sua lógica, de um lado está à sociedade e por outro os demais.
4. As dualidades:
• O clown condensa em si o Don Quixote e o Sancho Pança. Idealista e pragmático. Sonhador e irreal.
• O clown é uma pessoa de grandes projetos e metas, porém em seu caminho só encontra pequenas coisas que atraem sua atenção e que se convertem em suas prioridades.
• O clown pode ser frágil ou duro, forte ou fraco. Tudo depende do seu humor, motivação, solidão ou companhia.
5. Sua linguagem:
• Na forma de se expressar do clown, uma imagem vale mais que mil palavras.
• No clown, a compreensão e utilização da linguagem se dão de forma lógica e primária.
6. O lado negativo:
• O clown não insulta, ele expõem suas opiniões e / ou emoções através das palavras que desempenham esse papel. Na sua boca, qualquer palavra pode cumprir essa meta: Cantábrico enteléquia, tontornillo, toliliputiense, etecetera e assim por diante.
• O palhaço não transmite violência... Nem mesmo quando tenta ser violento.
• O clown pode se comportar de forma cruel, desde que haja um efeito de distanciamento da verdadeira crueldade para quem o vê (é uma crueldade cômica e não a crueldade real): inconsciência ao fazê-lo, exagero, excentricidade em seu imaginário e na forma de executá-lo...
7. Suas ações:
• No comportamento do clown, não existem besteiras. Tudo que faz tem uma justificativa, a sua. Isso faz com que qualquer de seus atos, incluindo o mais absurdo, se torne algo normal.
• O clown permanece em constante estado de alerta, ou seja, isento de qualquer obrigação de fazer algo, porém pronto para responder a qualquer estímulo que se manifeste.
• O clown encontra sempre uma solução para qualquer problema, embora seja uma solução clownesca. Sendo assim, uma ação impensável para qualquer outra pessoa, mas satisfatória para ele e condizente com sua natureza.


JARA, Jesus. Metodologia y prácticaI, In: Los juegos Teatrales del Clown. Ed. 1, Buenos Aires, Ediciones Novedades Educativas, 2000. P. 47-49.
Tradução: Rafael Barreiros

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